Reprodução/Instagram

Corpo violado

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Na última segunda-feira (11), o médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante pelo crime de estupro. Enfermeiras que acompanhavam o anestesista desconfiaram da quantidade de sedativos utilizados em outros dois pacientes. Na terceira operação, conseguiram fazer o registro do crime e entregar para as autoridades. O caso aconteceu no Hospital da Mulher, em São João do Meriti (RJ).

O crime ocorreu durante o parto da vítima, que estava inconsciente devido a quantidade de sedativos. Mas esse, infelizmente, não é o primeiro caso. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), adquirido pelo GLOBO, foram registrados 177 casos de estupro no estado do Rio de Janeiro entre 2015 e 2021.   

A maioria das vítimas são crianças de no máximo 13 anos, que é qualificado como estupro de vulnerável, crime pelo qual Geovanni foi atuado, uma vez que a vítima era incapaz de se defender por causa da quantidade de sedativos. Adolescentes entre 14 e 17 anos também estão entre os casos registrados, assim como idosos de 60 anos ou mais.

Ou seja, o problema não está na roupa, não está na maquiagem utilizada. Em 2021, o número de crimes de estupro no Brasil aumentou 4,2% em comparação ao ano de 2020, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A cada 17 minutos uma menina de até 13 é violentada.

Recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens, idoso. Não há idade que escape. Na rua, em casa, na escola, nos hospitais. Não existe um lugar seguro. Até mesmo depois de mortas somos violadas, não há um momento de paz nem mesmo na morte. O crime tem pena prevista de 8 a 15 anos de prisão. É difícil acreditar que há a possibilidade de Geovanni Quintella Bezerra pagar de fato pelo que fez, dado sua posição social, a abordagem policial que teve, entre outros fatores. Mas esperamos que ele pague e, no mínimo, tenha seu registro cassado.   

Mulher negra oriunda do interior do Estado do Rio de Janeiro. Professora, pesquisadora, revisora e feminista antirracista. A correria faz parte de sua vida, porque na barriga da miséria nasceu brasileira.

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